Vagabundo Iluminado|FLIP 2016

Por Caio Lima

Não existe uma maneira justa de representar todos os artistas que eu vi na rua, buscando seu espaço, fazendo arte pela arte e garantindo, muitas vezes, o dinheiro para o dia. Os verdadeiros desbravadores das cidades, que se alimentam de toda a podridão que há, digerem e transformam isso em seu trabalho. Eu não conseguiria ser justo com todos que conheci. Nunca. Impossível. Transmitir a luta, a ideia, o motivo de estar ali de cada um. Alguns, semianalfabetos que se desenvolveram na literatura, principalmente, e criaram uma forma de se sentirem representados e se manifestarem perante tudo e todos. Outros, graduados, professores, mestres e doutores, que preferem as ruas e seu misto de podridão e sinceridade às máscaras da alta sociedade que poderiam habitar. Dentre tantas diferenças, o caminho tomado por cada um que conheci foi o mesmo: arte marginal. É uma escolha difícil, que recompensa através das subjetividades da arte e que tira o sono das famílias. Queridos e malditos.

Resolvi sintetizar toda a arte marginal que vi na FLIP 2016 em um cara só, o Vagabundo Iluminado. Poeta marginal de BH, o cara veio dar umas voltas em Paraty para divulgar seu trabalho nas ruas. Junto à editora Quicelê, produziu seu trampo, o livro ‘Poeta por Necessidade’. Mas ele milita há anos na poesia marginal e, por conta própria lançou o livreto ‘Alecrim’, cobrando por ele um valor sentimental, além de tantos outros.

Eu disse que a escolha não seria justa, mas vou tentar me justificar. Em primeiríssimo lugar é a força nominal. Vagabundo Iluminado é um nome que merece aplausos e encarna o próprio autor, que corre trecho pelo Brasil inteiro para distribuir algo além do seu trabalho. Depois, é esse estoicismo clássico de quem poderia estar trilhando uma carreira de “sucesso” pela inteligência e capacidade que tem, mas preferiu sair por aí fazendo arte para viver. Essa coisa estoica em busca da arte e de conseguir encontrar almas semelhantes me faz remeter aos grandes heróis da literatura. Há de se ter muita fibra moral para encontrar essas dificuldades todas e continuar a caminhada.

Esse cara me apareceu antes da mesa de abertura da FLIP, enquanto eu e o Pedro Mário tomávamos um café. Chegamos naquela hora e já nos apareceu um cara das ruas oferecendo seu trampo e um monte de ideias pra passar. São alguns dos sinais que a gente recebe de algum canto do mundo etéreo que eu particularmente desconheço, sabe como é? Pela quantidade de material lançado aqui, pelas parcerias feitas, pela felicidade em ficar lembrando a FLIP durante um mês pra vocês todos, dá pra perceber que a FLIP foi um verdadeiro sucesso pra nós do Rede de Intrigas.

Esbarramos com o Vagabundo Iluminado algumas vezes por dia. Sempre num lugar diferente, perambulando pela cidade, em companhia de outros artistas. Até no meio da roda de atores ele se enfiou. Figura! Mas sua voz se ergueu perto das correntes, junto com as vozes dos demais. Fizeram o bom e velho barulho do protesto. E todo dia ele perguntava se havíamos feito contato. HAHAHAHAHA.

Não foi enrolação nossa. É que gostamos tanto do trabalho do cara que resolvemos sintetizar toda nossa felicidade em ver as ruas ativas novamente com a obra do Vagabundo Iluminado. Não é justo resumir toda a arte marginal que vimos na FLIP 2016 em uma obra só, mas no nosso processo de escolha, optamos pela luz que esse vagabundo nos proporcionou e aos que o acompanharam e ouviram pelas ruas. Resistência, sabedoria e sensibilidade. Vagabundo Iluminado, poeta por necessidade, representou tudo e todos que vimos nas ruas de Paraty. Ainda bem.

E é isso, galera! Terminamos o mês FLIP com sucesso total e voltamos a programação normal com artigos e resenhas com ordem aleatória de temas e escolha. Espero que tenham gostado e ano que vem tem mais. E, se possível, estaremos pesados nessa empreitada.

Querem conhecer o trabalho do cara? Acessa aí:

www.vagabundoiluminado.wix.com/vagabundoiluminado

www.trembemditos.com.br

www.cromasomos.com

facebook.com/vagabundoiluminado

facebook.com/saraucomum

 

Outras Dimensões|FLIP 2016

 Por Caio Lima

Casa Folha

Por que a Casa Folha é legal? Com certeza não é por causa das mesas. A única que valeu à pena foi a do Ruy Castro, aquele velho rabugento e meio escroque, mas que manja mais do que ninguém de música e de boa escrita. Além do Ruy Castro, eu vi parte de outra mesa por ordenação do destino e dos atrasos. Foi a mesa do Jorge Caldeira e o cara estava falando sobre economia. Bom, é aquela coisa, mesa de economia da Folha é mais ou menos parecida com pesquisa de aceitação do presidente interino: ou você pensa como eu penso, ou você pensa como eu quero que você pense. Mas a Casa Folha é legal, gente. Sério! Rola bom vinho de graça e sempre tem uma bandinha para animar a noite com bom jazz e mpb.

Casa de Cultura – FLIP+

Botaram pra quebrar esse ano! Gostei de ver! A Casa de Cultura deixou de ser um espaço secundário e deu as cartas na FLIP. Muitas mesas excelentes, sendo a de maior destaque a do Caco Barcellos e toda a equipe do Profissão Repórter, e vários eventos interessantíssimos. A parceria com a PhilosTV (paga nóix) foi bem bacana, apesar de eu ter assistido somente o documentário ‘Focault x Focault’. Mas nada nesse mundo supera o documentário sobre Sabotage!!! Máximo respeito de verdade! Muito bom. Ansioso para que ano que vem essa programação só melhore. Parabéns e mais parabéns!

Praça da Matriz

Lá na Matriz estava a tenda da Flipinha e, mais perto dos bares, um palanque para algumas mesas ao ar livre. Gostei da proposta, algo mais informal. Ficou bem bonito e criança tem que ter espaço mesmo! Correr, brincar e ter um espaço que consiga interagir mais e melhor com as pessoas. Quanto às mesas, foram mesas mais leves de assistir, intercaladas com mesas infantis. Foi boa essa rotatividade. A única que vi foi a do Duvivier com o Xico, a Maria e mediada pelo Marcelo. Foi uma mesa meio sem propósito. Falaram sobre livros, fizeram piada, tudo lindo e atrasaram uma hora. Reforço o atraso, pois isso foi o que propiciou a minha visita a Casa Folha para a mesa sobre economia. Olha o tipo de transtorno que esse atraso me causou, organização!!! É de deixar Gandhi sem cabelo!

Espaço Cultural Itaú (você tem a obrigação de pagar nóix)

Como patrocinador da parada, financiador do movimento e agiota cultural, eles colocaram uma casinha lá do lado de uma sorveteria boa para chamar mais gente. Não rolou muita coisa e acabei vendo só uma mesa com o Alberto Mussa. O cara é massa, viu? HEHEHE. Mas a programação foi bem reduzida, a casa era bem pequena e tinha muita coisa rolando ao mesmo tempo. Quem sabe se colocassem uns gerentes para que a gente abrisse uma conta ali na hora? Pois é, Itaú, você pode até patrocinar, mas dinheiro não compra atenção, neném! Melhorem se quiserem alguma coisa comigo na próxima FLIP.

Livraria das Marés

Aquele espacinho que eles tem para lançamentos de livros é muito maneirinho! Rolou um lançamento de um livro de um monte de gente que traduziu e reinterpretou as obras de Shakespeare para acontecimentos contemporâneos. Mesa meio coxinha, mas muito massa (meus trocadilhos estão incríveis hoje). Valeu por Shakespeare e pelo Everton, que encarnou Macbeth magnificamente para apresentar trechos do livro! Mas esperava mais coisas da livraria, ficou devendo um bocado.

Casa Rocco

Foi o único lugar que concedeu descontos em livros de autores FLIP e no resto do catálogo. Venderam muito, merecidamente. Cada promoção boa… pena que eu fui sem grana. Fora isso, muito material de divulgação legal. Sacolas de compras, marcadores diversos, capítulos de livros, adesivos, cartões e bottons. Só de Trainspotting eu peguei uns 30 marcadores. HAHA.

Programação diversificada, feita com muito esmero, na rua dos bobos, número zero. Fizeram muito bem ao prestigiar os autores da casa e o público junto, que pôde ver os autores bem de pertinho, participar diretamente e ter contato direto com os autores que circulavam pela casa livremente após as mesas e em outros eventos realizados.

Assisti uma mesa sobre a distopia feminista ‘Os Contos de Aia’, da Margaret Atwood, que foi uma uva. A do Frei Betto foi naquele pique ditadura. A sobre literatura juvenil foi bem bacana, mas o Raphael Montes precisa aprender a conviver com as críticas. Benjamin Moser é um pequeno gênio quando se trata de Clarice Lispector (lembrando que além de Clarice, Moser teve espaço para falar de seu outro livro lançado pela Cia. das Letras. Parabéns a Rocco por prestigiar o autor e não fazer guerrinha de ego editorial). Irvine Welsh teve espaço suficiente para falar tudo o que queria (ufa!) e eu quase me esqueci do desastre que havia sido sua mesa na Tenda dos Autores.

Finalizando isso aqui, ainda consegui meus autógrafos em Trainspotting e nos Contos Completos, de Clarice Lispector, que foram organizados pelo Benjamin Moser. Isso só após muita ajuda, carinho e compreensão do pessoal lá da Casa Rocco. Valeu, pessoal! Agora vira nosso parceiro, porque há um amor rolando entre nós.

 

 

 

Svetlana Aleksiévitch – Vozes de Tchernóbil

Por Caio Lima

Pessoas fazem história todo dia. Eu, você, a tia que vende tapioca na faculdade (saudades, tia) e todo mundo. Somos fonte da história que fazemos e das que vamos nos metendo pelo caminho. A dimensão que você dá a sua própria história depende de você e com quem você a divide. A maioria das pessoas pode achar que esse blog é um fracasso, por exemplo. Eu o colocaria como um sucesso. Só as pessoas que me foram trazidas por esse singelo espaço, o tornam um sucesso.

Esses múltiplos sentidos da vida são melhores que qualquer autoajuda. Talvez seja o que dê o reconhecimento (merecido) ao Vozes de Tchernóbil, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2015, “ouvido e transcrito” pela bielorrussa Svetlana Aleksiévitch. Muito provavelmente esse foi o livro que me causou mais problemas nessa vida de fazer resenhas:

  1. Pelo fato de ter me deixado num estado de morbidez, comfortably numb (Waters, Gilmour, paga nóis), fora do comum;
  2. Após a mesa da Svetlana na FLIP, eu fiquei me perguntando “o que mais eu poderia falar?”. Ela chegou com o pé na porta e amarrou muito bem os assuntos;
  3. É um livro que está sendo tão resenhado, que eu estou com um medo muito sério de ser repetitivo e ficar no lugar comum. O que complica, porque mais do mesmo é muito ruim pra quem lê e para o ego de quem escreve também. Hehehe.

Somos acostumados a aprender a história através dos tecnicismos escolares. Um expoente majoritário que cria as bases/leis/regras, uma situação específica e um lugar no planeta, misture tudo numa bacia e pronto, temos um evento histórico. Vemos tudo de longe, como se teorias políticas, guerras, desastres, civilizações e a própria evolução fossem imbuídas de caracterizar e organizar a história por si só. Talvez seja isso mesmo. Essa história é continuamente escrita e documentada.

Sob essa perspectiva continuamente escrita, ficamos tristes ao ver inocentes mortos pela interminável guerra de poder nas cidades. A falta de segurança e a não perspectiva de uma solução são alarmantes. Mas essa mesma violência é natural. Discutimos a inabilidade do Estado para lidar com isso, como o crime é organizado, corrupção, boas maneiras e qual uva faz o melhor vinho, tudo ao mesmo tempo. Somos capazes de falar que “o João Roleta, irmão do Zé Catraca, lá do morro do Véu Vendado, morreu com um tiro de 12 na cara” com uma indiferença sórdida.

Svetlana Aleksiévitch - Vozes de Tchernóbil.jpgÉ lógico que quando lemos a palavra Tchernóbil, o que vem a mente é a catástrofe. Os fatos e o tempo. Os fatos explicam muito bem o impacto de Tchernóbil para a ciência, a política, enfim, para a história. O tempo, intuitivamente, selecionou cada fato grande o suficiente para fazer valer à pena sua relevância histórica. Há diversos cacoetes e chavões técnicos ao se discutir Tchernóbil, talvez para que a soma entre tempo e fato não nos dê a chance de sofrer além do acidente em si. Nada é mais importante que a história, afinal. Mas é tudo tão distante, ermo e frio.

Dizem que ouvir e colocar os relatos num livro não é literatura, não é livro jornalístico, não é nada além de um documento. Aí você vê um “documento” ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Procurando a história do tal “documento”, eu descobri que isso é fruto de 40 anos de entrevistas que formam uma série de cinco livros chamada Vozes da Utopia (que nome! QUE NOME!). Resultado de jornalismo investigativo puro, sensibilidade, empatia e vontade de realizar um trabalho que não seja apenas transcrever um conjunto de grandes histórias, mas revelar pedaços que a história insiste em suprimir até ocultar. As histórias que sucumbem ante a imponência dos fatos e o poder do tempo.

Da Svetlana, em si, temos um breve prefácio, os títulos dos relatos (magníficos), o discurso feito ao ganhar o Nobel de Literatura e os parênteses com as reações dos entrevistados. E só. Esqueça qualquer ardil literário, manifestação política, aquele estoicismo que encontramos nos nossos historiadores preferidos, o duplipensar de autores medíocres que querem seguidores fiéis e espaço na mídia, os fatos que compõem um artigo científico e a criatividade interminável de um autor de ficção científica. Nada disso existe em Vozes de Tchernóbil. São apenas relatos das pessoas que conviveram ou ainda convivem com a tragédia. A abrangência dos relatos, a urgência, o sentido disso tudo, fica a cargo do leitor.

Em meio aos grandes momentos da história existe algo subjetivo, manipulável e frágil. Cada entrevistado, na profunda dor, na inocência, inconformismo, devoção, incredulidade ou pureza, passou uma visão muito particular do que foi Tchernóbil. De como as vidas foram modificadas, ou não. Essa coleção de relatos profundos, pacientes, que divagam de um ponto ao outro, muitas vezes sem objetivo nenhum, nos colocam frente a frente com a maior deficiência que temos: a capacidade de se colocar no lugar do outro, a falta de empatia com o sofrimento alheio. Não existe uma transferência de culpa ou vitimismo. O livro inteiro é um exercício extremamente físico de como reagimos a cada um daqueles depoimentos. Ou você se rende e se abre para absorver as experiências das pessoas ou você larga o livro.

Entender as pessoas. Ouvir, absorver, sentir. Foi a única coisa que Svetlana fez ao longo dos anos. A “mulher-ouvido”, sem escrever uma única palavra de sua autoria, provocou esse alarde todo. Deu espaço a todas essas vozes que a grande história ocultou. São essas as pessoas, e outras tantas, atingidas pela catástrofe nuclear de Tchernóbil. Agora todos nós as conhecemos. Eu nunca fui capaz de pensar sob esse aspecto. Acredito que poucos foram.

Ao longo do livro eu fui desarmado. Nenhuma evidência histórica me traria a sensação de desalento ao ver trabalhadores rurais tão apegados a sua terra, agora contaminada até o talo com radiação, voltarem para suas casas e continuarem suas vidas e comerem seus tomates, agora radiativos. O avanço das horas não me fez chorar menos com as crianças, que corriam de peito aberto e não aceitavam serem castigadas por algo que não podem ver, sentir ou tocar. A radiação transformaria a todas, inevitavelmente. Suas esperanças me transformaram, felizmente.

Através da perspectiva de cada um, enxergamos uma hecatombe diferente. Momentos de profunda devastação moral, com os primeiro e último relatos do livro. Momentos de riso frouxo com algumas figuronas. Momentos de esperança com os relatos das crianças. Momentos de ternura, raiva, inconformismo. Uma coleção de visões. É estranho quando você se reconhece capaz de entender outra pessoa plenamente lendo apenas um relato dela, não é? Não somos acostumados a isso no cotidiano. Isso choca.

O evento, em si, desencadeia tudo. Mas o que dá o sentido a tudo são as pessoas. Coisa que a história faz questão de esquecer ou não mostrar. Sempre compramos uma versão técnica, bonita e cheia de correção para fazer jus aos fatos e ao tempo. Mas a história é feita por pessoas, para pessoas e atinge pessoas. Qualquer ideal que deturpe isso nos afasta do que verdadeiramente somos. Vozes de Tchernóbil no traz de volta instantaneamente, assim, finalmente, vemos as nossas imagens refletidas num espelho, quando somos educados para enxergar tudo em vitrines. São iluminados os capazes de provocar isso. Ou são, tão simplesmente, humanos.

O trabalho de Svetlana é tão especial por isso. É uma reeducação do ser humano, uma nova aula de história. Durante três semanas pensei em como resenhar esse livro. Hoje ainda sinto que essa resenha não será capaz de tocar alguém como eu acho que deveria tocar, muito provável que eu tenha ficado no lugar comum. Mas isso deixou de me interessar. Meus olhos se voltam às histórias que vivencio diariamente, nos fatos que a história anda registrando mundo afora e, principalmente, nas milhares de histórias que o tempo e os fatos farão questão de passar por cima. O tempo, o fato e a história. Não, nada disso importa mais.

Cristina Teixeira – O Reino do Homem de Um Olho Só

Por Caio Lima

Um dos projetos do Rede de Intrigas é o de abrir espaço para autores marginais. Como estamos no início, fica meio complicado conciliar todas as propostas do blog ao mesmo tempo. Então a parada foi esperar um momento oportuno para dar início a mais esse projeto e, para ver demonstrações múltiplas nas ruas, nada melhor que a FLIP, certo? É uma aposta bem óbvia, mas dizer-lhes-ei-vo-lhe (já que mesóclise agora é tendência) que o sucesso foi além do esperado. Para estrear esse quadro/coluna do Rede de Intrigas selecionamos o livro O Reino do Homem de Um Olho Só, da Cristina Teixeira. Que, aliás, foi começar com o pé direito.

Entrar no universo de Robin Merrick não é fácil. Parte disso se dá pelo fato dele ser um psiquiatra e psiquiatras não são pessoas fáceis. Principalmente psiquiatras forenses que criam um método para explorar regiões do subconsciente em busca de memórias bloqueadas por um trauma. É o método do DMS, o projeto de vida do cara. Essa história de colocar o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho como projeto de vida é algo bem temerário. Vai que você se envolve até o talo com o trabalho e acontece de dar tudo errado, né Merrick? Conta aí pra gente o que aconteceu com Elliot Hess, cara. O caso Hess é o calcanhar de Aquiles do psiquiatra e o influencia em todos os seus passos. É um carma.

Cristina Teixeira - O Reino do Homem de Um Olho Só.jpgA outra parte do universo de Merrick que é difícil de adentrar é que as descrições são feitas por um narrador cego, que é o Merrick. Foi mal, esqueci de falar. A criação do processo descritivo deve ter sido bem complicadinha. Emular um cego e conseguir escrever as sensações do cara no ambiente deve ser um desafio e tanto, e é um dos pontos que eu mais destaco no livro. Os encontros repentinos, a questão de sentir a presença e não poder ver, tentar se situar no ambiente através dos outros sentidos, tudo isso dá uma sensação de privação muito grande. É angustiante e claustrofóbico não ter a liberdade que a visão te dá, já que ele não é o Demolidor ou a Arya Stark.

Após receber o caso de Charlie, que é o principal suspeito de matar a própria esposa e filhas, para aplicar o DMS após o trauma com Hess, já aposentado, a vida do Doutor Merrick vira do avesso completamente. Primeiro, porque Charlie conhece todos os seus passos e o envolve completamente, segundo porque o DMS é um sistema em descrédito e usado como plano de emergência para aquele caso específico, ou seja, a última chance de comprovar que a obra da sua vida dá resultados e, por fim, o caso Hess que volta e meia o assombra ou lhe é jogado na cara por todos os seus superiores. Ou seja, a cabeça do nosso amigo Rob, que já tinha traumas e complicações suficientes para se preocupar, conseguiu piorar.

O amigo entrou em parafuso. Isso fica bem explícito pela forma que seu alter ego se funde à narração da história, criando pontos de distorção no próprio entendimento da história. É uma maneira de extrato mental e conforme a história anda é perceptível a evolução do quadro do psiquiatra. Fazendo uma justaposição: ao ler a história de um psiquiatra que precisa analisar e se pôr no lugar de um paciente e automaticamente nos colocamos automaticamente no seu lugar ao analisa-lo no decorrer dos acontecimentos absurdos, como diria Camus, que se atropelam e acontecem de uma hora para outra. Mindblowing. É o trunfo do livro. É onde você fica preso.

A narrativa é rápida, os fatos se sucedem igual repente, rapidinho, e conforme o caso vai avançando como é que para de ler? Um thriller psicológico de qualidade. Melhor que muita coisa enlatada por aí e tá só esperando você criar vergonha e ver que tem muita qualidade fora das recomendações da Veja, das promoções da Submarino e do que os grupos de livros do Facebook ficam discutindo. Pode ir sem medo que o pai garante que é coisa muito boa.

Tenda dos Autores – Parte 02|FLIP 2016

Por Caio, Pedro, Patrick, Flor, Yumi, Paula e tô com preguiça. Depois passo a senha e daí tu inclui o nome aqui, já é? Já é.

Qual é a da parada, rapeize? Vamos continuando os trabalhos falando das outras mesas que cobrimos na Tenda dos Autores. Se liga só:

01/07 – Sexta-feira – 10h|mesa 7: Breviário do Brasil

Benjamin Moser e Kenneth Maxwell

Meu amigo Pedro Mário, que estava com uma flor de pessoa, deu o papo: é um tanto difícil discutir o atual momento da Terra de Vera Cruz em pouco mais de uma hora. Mas esses dois caras são corajosos e botaram a cara no sol pra falar o que eles conseguem concluir lá de fora. Ou seja, NADA. E não é brincadeira, não. Eles falaram várias paradas certas, mas nada que não saibamos. Lógico que esse ponto de vista de fora desenvolve alguns conceitos. Mas deu pra perceber que é muito difícil interpretar o que tá rolando por aqui.

Uma tarefazinha ingrata, cara. Existem muitos Brasis dentro do Brasil. É um país difícil de explicar em anos, imagine numa mesa. A única coisa que fica evidente é a perplexidade quanto ao colapso político que vivemos. Na verdade, os colapsos políticos são recorrentes por diferentes motivos e cada geração tem suas esperanças perdidas. Apesar do olhar racional e da defesa ferrenha pelo término dessa história de “complexo de vira-lata”, é muito evidente que não há resposta de fora para o que acontece por aqui. As indignações parecem ser gritantes demais para que haja espaço para soluções, visto de dentro ou visto de fora.

Um lance bem irado é explicar o conceito da criação de Brasília e é bem real essa parada. Viajei por horas nisso. Os governantes ficam totalmente isolados. Que bizarro isso, cara. Os caras não temem o povo porque nada chega até eles. E a gente aqui batendo panela…

Enfim, é uma mesa que ajudou a observar o que rola por aqui através de um view gringo, mas não foram novidades. Foram pontos de vista mais aprofundados e sob uma ótica não usual, o que é bom também. Tá valendo.

01/07 – Sexta-feira – 15h|mesa 9: O show do eu

Christian Dunker e Paula Sibilia

Ousadia e alegria. É a espetacularização do cotidiano. A necessidade de se autopromover é cada vez mais forte e explorar os limites disso é muito importante. O livro da Paula dá o nome à mesa. Ela, inclusive, lança os tópicos da mesa mais que a mediadora. Já disse, ousadia e alegria.

Mas o papo é bem sério agora. Qual o poder adquirido através das redes sociais e de toda essa onda digital que deixa confortável e natural essa necessidade de expor o privado? Afinal, quais são os novos limites do público e do privado? Com a tecnologia os conceitos se misturam, até.

E a validade dos argumentos sobre esse tipo de doença tecnológica interferem até no modelo de escola que temos, cara. É agressivo estar nos moldes atuais da escola. As ocupações são um retrato disso.

O deslocamento do eixo que constrói o que nós somos (ficou poético isso, cara) sai de valores interiores para valores exteriores sem qualquer tipo de filtro, o indivíduo passa a ficar muito vulnerável porque perde a subjetividade. Então o vazio criado gera uma série de novos problemas. Os males do novo século. Daí você faz assim: senta, absorve, chora, reflete, chora, pensa na vida, chora, olha no espelho, chora e daí bate palma.

01/07 – Sexta-feira – 17h15|mesa 10: Encontro com Karl Ove Knausgard

Então, o cara chega aqui no Brasa cheio de fama, com uma das obras mais aclamadas dos últimos anos e geral querendo ouvir o que o caboclo tem pra falar. Esse lance da FLIP de “Encontro com” foi uma jogada de risco, mas que deu certo. A mesa do cara foi um sucesso. Eu fiquei muito na pilha de ler a série do cara ali na hora.

A história dele com o pai, o que deu assunto para que escrevesse a série “Minha Luta”, é uma parada bem cabulosa. Uma juventude reprimida em todos os sentidos. Família religiosa e tal. Pra ter uma ideia, o amigo explana que tocou uma só aos dezenove anos. É irmão, as coisas não são fáceis na família tradicional norueguesa.

Mas duas paradas me incomodaram. A primeira é que o cara, para compensar toda a repressão, timidez e sei lá mais o que, tem uns devaneios meio megalomaníacos, saca? Meio que o Exodia (entendedores entenderão) dentro daquele mundo que ele enxerga (e vive). Pode ser impressão, mas isso cortou essa vibe bacana de aproximação entre autor e leitor, convidado e público, que eu tanto falei por aí.

Outra parada foi a Cia. das Letras que avacalhou com os autógrafos. Eu não faço questão de assinatura de ninguém, mas vi muita gente bolada porque só receberam uma rubrica e nem contato com o autor tiveram. Um aperto de mão não mata ninguém, po. Tudo bem que o cara deve ter n compromissos, mas e a galera pega fila, paga caro no livro e cria expectativa por um rabisco do cacique da Noruega? Não concordo muito com essa parada não, na boa.

01/07 – Sexta-feira – 21h30|mesa 12: Sexografias

Gabriele Wiener e Juliana Frank

Manja quando eu falei dos mediadores que estragam tudo? Toma outra dose aí. O cara deu umas trezentas bolas fora. A pior delas foi insinuar que a Gabriela Wiener é pervertida por praticar o poliamor. Faltou cara pra ficar vermelha. Vergonha alheia total.

A leitura intercalada dos trechos dos livros das duas convidadas foi bem fraca. As duas atrizes se confundiram, erraram no tom e deixaram as coisas bem sem sal. Prelúdio de um desastre.

Em se tratando da mesa, depois do ano passado a expectativa estava como? Lá no alto. Geral saindo da Tenda dos Autores direto pra pousada e tal. Mas aí convidaram a Juliana Frank, que escreve livros eróticos e é bem descolada. A Juliana roubou a cena desde o primeiro momento pelo simples fato de aparentar viver num mundo anos luz à frente do nosso. Vida avançada total. A mina a cada pergunta viajava para um mundo totalmente dela. O problema é que ninguém tinha acesso. O pior é que ela começava bem as respostas, criava aquela expectativa na galera. Mas daí o caldo entornava e, ou a gente ficava puto, ou ria. Eu, particularmente, me diverti demais. Quero muito usar o que ela usa ou aprender a elevar meu espírito dessa maneira. Meta da vida é ler os livros dessa mulher, na moral.

A Gabriela ficou intimidada, mas depois mostrou a que veio. Pena que isso rolou faltando cinco minutos para acabar a mesa. Mas deu pra sacar qual é a dela e fiquei muito interessado no seu trabalho.

Era uma mesa que tinha tudo para ser um sucesso absoluto, mas causou vergonha alheia por vários motivos. FLIP, qual o seu problema com as mesas que deveriam ser polêmicas?

Ô Yumi, ô Paula, o que é o brechó?

02/07 – Sábado – 10h|mesa 13: Encontro com Leonardo Fróes

Sempre que perguntarem se esse tipo de mesa “Encontro com” deu certo, usem essa mesa com o Fróes. Que cara bacana. Na boa. Vontade de chama-lo para tomar um café e ficar ali papeando com o cara, só ouvindo as experiências dele. Tranquilão no baile.

O cara é o homem natureza e baseou sua poesia nas experiências transcendentais de sua jornada que já rodou o mundo inteiro. Numa escalada ou na horta de casa, tudo inspira Fróes. A natureza lhe é íntima e compõe cada cenário da sua poesia.

É incrível as relações que ele faz entre a natureza e a política, até. O cara é de uma sabedoria absurda. A simplicidade no modo de ver a vida. Manja quando tu olha pra pessoa e vê uma pessoa realizada? Isso dá maior satisfação, não dá? Então, esse é o poeta Leonardo Fróes.

Cara, pare e ouça. Vai lá. O cara é demais e participar disso foi mágico!

02/07 – Sábado – 12h|mesa14: De Clarice a Ana C.

Benjamin Moser e Heloísa Buarque de Hollanda

“Se Heloísa descobriu Ana C., Benjamin redescobriu Clarice”. Essa frase resume a mesa, né? Tá bom, posso ir embora, tchau. Sacanagem. A parada é que traçando um perfil dessas duas escritoras, há uma questão interessante e eu acho que seja o motivo de terem elaborado essa mesa. Ambas, Clarice e Ana C., foram consumidas pela literatura que produziram. É uma obsessão que só cresce a partir do momento que você produz mais. Clarice tem uma vasta obra e Ana C. tem um legado curto, mas muito imponente. Essa obsessão das duas pode ser percebida, bem como os efeitos dessa compulsão pela literatura que produziram. Isso abre o prisma de significados que toma uma das frases preferidas de Ana C.: “o poeta é um fingidor”.

Questões religiosas, de gerações e da própria vida, vão afastando as duas, mas a obsessão pela literatura as une com uma força brutal. O envolvimento passado para o leitor ao lê-las é onde elas se encontram no panteão das gigantes da literatura.

Ressalto o total preparo da mediadora, que conduziu a mesa de forma divina. E os convidados que são duas almas iluminadas e profundamente conhecedoras das duas autoras. Mesa pra não botar defeito.

02/07 – Sábado – 17h15|mesa 16: Encontro com Svetlana Aleksiévitch

O que falar da Veveta? Não é à toa que ela teve que dar quase mil autógrafos, coitada (Cia. das Letras prejudicou a galera de novo com a organização, quase teve treta). Conquistou o coração de geral. Uma recém-premiada com o Nobel de Literatura em Paraty. As expectativas eram estrogonoficamente altas. Aí ela chega naquele jeito manso de ser e deixa todo mundo com a cara no chão ao dar uma aula de humanismo, empatia, história e amor.

Ela veio por conta do Vozes de Tchernóbil, título que a fez ser premiada, mas ela escreveu cinco obras acerca do período que abrange o fim da Segunda Guerra e a queda da URSS. A essa reunião de cinco pontos de vista diferentes, ela chama de Vozes da Utopia. Na moral, uma mulher que lança uma série sobre esse período e batiza sua série como VOZES DA UTOPIA. Precisa de mais alguma coisa?

Dois volumes já foram lançados pela Cia. das Letras (paga nóis pelo merchan, po) e eu já os devorei (em breve resenhas, mês da FLIP e tal). Os outros devem sair ano que vem. Só façam o seguinte: procurem a mesa no YouTube, assistam, caiam de amores, comprem os livros, leiam freneticamente e consumam tudo que essa mulher produz. Que coisa maravilhosa.

Ela é a verdadeira resistência nesse mundo, cara. Na boa, máximo respeito pela Veveta. As definições de “homem vermelho” e “homem consumo”, ela dissertando sobre liberdade. Aaaaah, vou parar por aqui. Vão caçar a mesa e ganhar uma hora de vida.

02/07 – Sábado – 19h30|mesa 17: O Falcão e a Fênix

Helen Macdonald e Maria Esther Maciel

Eu quero ler F de Falcão, e acho que quero ter um falcão só pra pegar os trejeitos dele e ficar assustando o público quando me convidarem para a FLIP algum dia.

Foi uma mesa surpreendente. Tanto que nem estava na minha programação. Mas a Helen tem um talento para falar em público e seu relacionamento com seu falcão é uma parada muito bonita.

A brazuca tomou chá de Juliana e, numa mistura de nonsense total e academicismo avançado, deu umas escapadas na hora de fazer a curva. Algumas onomatopeias foram irresistíveis e rolou uma aulinha de história bem maneira. Chá de Juliana tem poder.

Mas a mesa, num contexto geral, foi bem bacana. O vinho de 10 conto tava bão também!

02/07 – Sábado – 21h30|mesa 18: O palco é a página

Kate Tempest e Ramon Nunes Mello

A grande surpresa da FLIP para mim e, presumo, para a crítica, foi a britânica Kate Tempest. Eu já ouvi uns trampos dela com rap, mas nem me ligava que ela estava escrevendo. Ainda bem que ela está escrevendo, cara! Escreve muito! Que presença e que palavras. Ela põe muito sentimento em tudo que faz e dá um show.

O Ramon estava ali só esperando a deixa dele e marcou boa presença também. O lance de revelar que é soropositivo foi surpreendente para uma boa galera no telão. Mas é mais uma daquelas aulas que a poesia insiste em dar: o maluco escreve com tanto amor, de forma tão bonita, que esse distanciamento que a frase “eu tenho aids” provoca, virou pó.

Ambos falaram muita coisa sobre a representatividade da arte num contexto de quebrar preconceitos e estigmas sociais. Mas acho que a Kate resumiu bem a função da poesia em essência: “a poesia nunca está completa se não é compartilhada, se ninguém a ouve. O trabalho da poesia só se torna completo quando atinge um receptor”.

A poesia agradece a presença dos dois fechando o glorioso dia de sábado. Foram mais que excelentes ao cumprir o seu papel.

P.S.: Só a Yumi teve grana pra levar o livro da Kate, cobrem resenha dela.

03/07 – Domingo – 10h|mesa 19: Síria mon amour

Abud Said e Patrícia Campos Mello

A Patrícia chegou falando da experiência dela como correspondente de guerra e empolgou. Logo na primeira pergunta ela já fez um link com vários assuntos, como sensacionalismo da imprensa em cima da imagem do menino Aylan Kurdi, o menino refugiado encontrado morto na praia que virou manchete no mundo inteiro, e extremismo religioso. Mandou bem demais. Domingo de manhã, cheio de ressaca, mas estava eu lá cheio de disposição. Pensei comigo assim que ela acabou de falar “sáparada vai ser como, quente”.

Aí o querido mediador, que levou um baile da Juliana (Drunk) Frank, tomou outro baile. O Abud, o cara mais esperto do Facebook (deixa nóis promover a página de graça), só falou o seguinte: “Eu não sou escritor. Uma alemão encontrou meus textos no Facebook, pediu para traduzir e eu fui morar na Alemanha. Agora me convidam para eventos como a FLIP, num hotel cinco estrelas e ontem fiquei três horas na sauna. Então isso é o que importa para mim. O confronto na Síria não tem a ver comigo. Eu, particularmente, não me importo e não vou responder sobre a Síria. Então não me façam perguntas sobre a Síria que eu não vou responder.”.

A mesa acabou! Aguentar uma hora dessa ladainha desse Sírio mequetrefe anulando uma baita jornalista é brincadeira. Todo mundo constrangido. Eu fui embora após ele fazer a comparação entre o profissionalismo alemão e o brasileiro, num discurso cheio de preconceito. Bola fora total. Pior mesa da FLIP de longe.

“Ei, Abud, vai tomar café”, gritava a plateia ensandecida ao desejar que Abud ficasse pobre instantaneamente.

03/07 – Domingo – 12h|mesa 20: Sessão de encerramento: Luvas de pelica

Sérgio Alcides e Vilma Arêas

A mesa mais bonita da FLIP. O Sérgio é crítico literário e estudioso de Ana C., a Vilma foi professora e amiga da mulher. Era para ser uma mesa técnica pra caramba. Mas veja do que excelentes professores são capazes. Ao esmiuçar Ana Cristina Cesar para o público, eles tornaram sua obra cada vez mais humana. A cada camada de Ana C. eles explicavam tecnicamente tudo o que eu senti lendo. Algo absurdo e surpreendente para mim.

E, do nada, Ana Cristina ficou entendível para todos. Sérgio foi muito feliz ao falar das referências perdidas na poesia de Ana C. e em como faz bem não reconhecer todas as referências. Essa é a mutação da poesia dela e o que há de eterno em sua obra. O segredo, a provocação, o íntimo e a aproximação com o receptor da mensagem, independente do sentido dado às palavras.

Vilma foi pela mesma linha e ainda disse mais sobre como Ana Cristina tinha esse poder de provocar e de fingir, na sua escrita, diversos estados da alma. Essa capacidade de mover palavras e deixar sensações implícitas é algo extremamente difícil e literário.

Enfim, vale a pena ver de novo. Vejam! É de aplaudir de pé todas as vezes.

E quando Vilma lê o poema de Cacaso para Ana Cristina, escrito após seu suicídio. Aquilo é a magia da literatura. Aquilo é amor. Sintetizou o que foi a mesa e encerrou a FLIP 2016 com chave de ouro. Ver pessoas que não faziam ideia de quem era Ana Cristina César antes da FLIP saírem chorando copiosamente é a prova viva de que o legado da autora é eterno. Que espetáculo! Que coisa linda!

É isso, meu povo! Essa foi a cobertura redondinha que o Rede de Intrigas fez da Tenda dos Autores. Nem mencionamos a Mesa 21: Livro de cabeceira, porque ficar falando de escritor lendo enche o saco. Muito chato isso.

Aguardem que agora vem as outras mesas, o que achamos nas ruas e uma colab com a Yumi e a Paula, queridas demais, do blog Me formo em 2080. Chora, que esse é só o começo!