Vagabundo Iluminado|FLIP 2016

Por Caio Lima

Não existe uma maneira justa de representar todos os artistas que eu vi na rua, buscando seu espaço, fazendo arte pela arte e garantindo, muitas vezes, o dinheiro para o dia. Os verdadeiros desbravadores das cidades, que se alimentam de toda a podridão que há, digerem e transformam isso em seu trabalho. Eu não conseguiria ser justo com todos que conheci. Nunca. Impossível. Transmitir a luta, a ideia, o motivo de estar ali de cada um. Alguns, semianalfabetos que se desenvolveram na literatura, principalmente, e criaram uma forma de se sentirem representados e se manifestarem perante tudo e todos. Outros, graduados, professores, mestres e doutores, que preferem as ruas e seu misto de podridão e sinceridade às máscaras da alta sociedade que poderiam habitar. Dentre tantas diferenças, o caminho tomado por cada um que conheci foi o mesmo: arte marginal. É uma escolha difícil, que recompensa através das subjetividades da arte e que tira o sono das famílias. Queridos e malditos.

Resolvi sintetizar toda a arte marginal que vi na FLIP 2016 em um cara só, o Vagabundo Iluminado. Poeta marginal de BH, o cara veio dar umas voltas em Paraty para divulgar seu trabalho nas ruas. Junto à editora Quicelê, produziu seu trampo, o livro ‘Poeta por Necessidade’. Mas ele milita há anos na poesia marginal e, por conta própria lançou o livreto ‘Alecrim’, cobrando por ele um valor sentimental, além de tantos outros.

Eu disse que a escolha não seria justa, mas vou tentar me justificar. Em primeiríssimo lugar é a força nominal. Vagabundo Iluminado é um nome que merece aplausos e encarna o próprio autor, que corre trecho pelo Brasil inteiro para distribuir algo além do seu trabalho. Depois, é esse estoicismo clássico de quem poderia estar trilhando uma carreira de “sucesso” pela inteligência e capacidade que tem, mas preferiu sair por aí fazendo arte para viver. Essa coisa estoica em busca da arte e de conseguir encontrar almas semelhantes me faz remeter aos grandes heróis da literatura. Há de se ter muita fibra moral para encontrar essas dificuldades todas e continuar a caminhada.

Esse cara me apareceu antes da mesa de abertura da FLIP, enquanto eu e o Pedro Mário tomávamos um café. Chegamos naquela hora e já nos apareceu um cara das ruas oferecendo seu trampo e um monte de ideias pra passar. São alguns dos sinais que a gente recebe de algum canto do mundo etéreo que eu particularmente desconheço, sabe como é? Pela quantidade de material lançado aqui, pelas parcerias feitas, pela felicidade em ficar lembrando a FLIP durante um mês pra vocês todos, dá pra perceber que a FLIP foi um verdadeiro sucesso pra nós do Rede de Intrigas.

Esbarramos com o Vagabundo Iluminado algumas vezes por dia. Sempre num lugar diferente, perambulando pela cidade, em companhia de outros artistas. Até no meio da roda de atores ele se enfiou. Figura! Mas sua voz se ergueu perto das correntes, junto com as vozes dos demais. Fizeram o bom e velho barulho do protesto. E todo dia ele perguntava se havíamos feito contato. HAHAHAHAHA.

Não foi enrolação nossa. É que gostamos tanto do trabalho do cara que resolvemos sintetizar toda nossa felicidade em ver as ruas ativas novamente com a obra do Vagabundo Iluminado. Não é justo resumir toda a arte marginal que vimos na FLIP 2016 em uma obra só, mas no nosso processo de escolha, optamos pela luz que esse vagabundo nos proporcionou e aos que o acompanharam e ouviram pelas ruas. Resistência, sabedoria e sensibilidade. Vagabundo Iluminado, poeta por necessidade, representou tudo e todos que vimos nas ruas de Paraty. Ainda bem.

E é isso, galera! Terminamos o mês FLIP com sucesso total e voltamos a programação normal com artigos e resenhas com ordem aleatória de temas e escolha. Espero que tenham gostado e ano que vem tem mais. E, se possível, estaremos pesados nessa empreitada.

Querem conhecer o trabalho do cara? Acessa aí:

www.vagabundoiluminado.wix.com/vagabundoiluminado

www.trembemditos.com.br

www.cromasomos.com

facebook.com/vagabundoiluminado

facebook.com/saraucomum

 

Cristina Teixeira – O Reino do Homem de Um Olho Só

Por Caio Lima

Um dos projetos do Rede de Intrigas é o de abrir espaço para autores marginais. Como estamos no início, fica meio complicado conciliar todas as propostas do blog ao mesmo tempo. Então a parada foi esperar um momento oportuno para dar início a mais esse projeto e, para ver demonstrações múltiplas nas ruas, nada melhor que a FLIP, certo? É uma aposta bem óbvia, mas dizer-lhes-ei-vo-lhe (já que mesóclise agora é tendência) que o sucesso foi além do esperado. Para estrear esse quadro/coluna do Rede de Intrigas selecionamos o livro O Reino do Homem de Um Olho Só, da Cristina Teixeira. Que, aliás, foi começar com o pé direito.

Entrar no universo de Robin Merrick não é fácil. Parte disso se dá pelo fato dele ser um psiquiatra e psiquiatras não são pessoas fáceis. Principalmente psiquiatras forenses que criam um método para explorar regiões do subconsciente em busca de memórias bloqueadas por um trauma. É o método do DMS, o projeto de vida do cara. Essa história de colocar o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho como projeto de vida é algo bem temerário. Vai que você se envolve até o talo com o trabalho e acontece de dar tudo errado, né Merrick? Conta aí pra gente o que aconteceu com Elliot Hess, cara. O caso Hess é o calcanhar de Aquiles do psiquiatra e o influencia em todos os seus passos. É um carma.

Cristina Teixeira - O Reino do Homem de Um Olho Só.jpgA outra parte do universo de Merrick que é difícil de adentrar é que as descrições são feitas por um narrador cego, que é o Merrick. Foi mal, esqueci de falar. A criação do processo descritivo deve ter sido bem complicadinha. Emular um cego e conseguir escrever as sensações do cara no ambiente deve ser um desafio e tanto, e é um dos pontos que eu mais destaco no livro. Os encontros repentinos, a questão de sentir a presença e não poder ver, tentar se situar no ambiente através dos outros sentidos, tudo isso dá uma sensação de privação muito grande. É angustiante e claustrofóbico não ter a liberdade que a visão te dá, já que ele não é o Demolidor ou a Arya Stark.

Após receber o caso de Charlie, que é o principal suspeito de matar a própria esposa e filhas, para aplicar o DMS após o trauma com Hess, já aposentado, a vida do Doutor Merrick vira do avesso completamente. Primeiro, porque Charlie conhece todos os seus passos e o envolve completamente, segundo porque o DMS é um sistema em descrédito e usado como plano de emergência para aquele caso específico, ou seja, a última chance de comprovar que a obra da sua vida dá resultados e, por fim, o caso Hess que volta e meia o assombra ou lhe é jogado na cara por todos os seus superiores. Ou seja, a cabeça do nosso amigo Rob, que já tinha traumas e complicações suficientes para se preocupar, conseguiu piorar.

O amigo entrou em parafuso. Isso fica bem explícito pela forma que seu alter ego se funde à narração da história, criando pontos de distorção no próprio entendimento da história. É uma maneira de extrato mental e conforme a história anda é perceptível a evolução do quadro do psiquiatra. Fazendo uma justaposição: ao ler a história de um psiquiatra que precisa analisar e se pôr no lugar de um paciente e automaticamente nos colocamos automaticamente no seu lugar ao analisa-lo no decorrer dos acontecimentos absurdos, como diria Camus, que se atropelam e acontecem de uma hora para outra. Mindblowing. É o trunfo do livro. É onde você fica preso.

A narrativa é rápida, os fatos se sucedem igual repente, rapidinho, e conforme o caso vai avançando como é que para de ler? Um thriller psicológico de qualidade. Melhor que muita coisa enlatada por aí e tá só esperando você criar vergonha e ver que tem muita qualidade fora das recomendações da Veja, das promoções da Submarino e do que os grupos de livros do Facebook ficam discutindo. Pode ir sem medo que o pai garante que é coisa muito boa.

Ana Cristina Cesar – Poética|FLIP 2016

Por Caio Lima

“E penso

a face fraca do poema/ a metade na página

partida

Mas calo a face dura

flor apagada no sonho

Eu penso

A dor visível do poema/ a luz prévia

Dividida

Mas calo a superfície negra

pânico iminente do nada.”

 

Poética não é apenas uma compilação física elaborada com primor estético de toda a obra da renomada poetisa marginal Ana Cristina César, homenageada da FLIP 2016. Pode parecer efeito de um afeto-relâmpago devido a minha recente experiência, mas Ana C. se materializa para além do imaginário a todo o momento, numa espécie de espectro que insiste em aparecer toda vez que o livro é aberto. Esse espectro funciona como uma espécie de atlas do corpo humano, saca? Indica os músculos que devem ser movidos, as artérias que devem se dilatar e os órgãos que reagem à leitura de cada fragmento escrito. E isso tende a mudar dentro dos contextos que ela aplica dentro de um único escrito. É uma leitura intensa, física.

É impossível tentar compreender qualquer coisa da poesia e dos fragmentos de Ana C. sem saber absolutamente nada sobre a vida dela. Armando de Freitas Filho fez um prefácio sucinto, talvez até demais. Seja em respeito à pessoalidade da sua memória, seja a falta de palavras para tentar justificar sua presença ali ou a dificuldade de externar aspectos da revolução que é Ana C.. Não que exista muita coisa dela circulando por aí, mas é bom dar uma pesquisada.

Ana Cristina Cesar - Poética.jpgLendo, eu só consegui chegar à conclusão de que essa mulher é fascinante. Por vezes eu leio duas páginas de uma carta que versava sobre vários nadas. É interessante, mas o cunho pessoal e literário é separado e essas cartas e fragmentos tomam o sentido de piadinha interna que seus amigos soltam numa conversa aleatória e você fica com cara de nádegas. Por vezes no sentido de duas linhas reside o universo, amplo e inexplorado, provocando uma viagem guiada por suas palavras. Daí é advindo todo o encantamento que sua poesia causa, pelo menos em mim.

É uma obra que pede releituras por diferentes momentos da vida. Suas formulações são tão pessoais que o sentido de algumas palavras soltas que eu absorvo agora se confunde com o sentido das minhas próprias formulações. É arte e é conversa ao mesmo tempo.

Existem gritos de Ana C. que ela precisa que ouçam e sejam espalhados. Isso não significa sofrimento. São gritos de quem precisa gritar, quaisquer sejam os motivos. Tampouco há a necessidade de que sejam muitos os ouvintes, desde que esses poucos estejam propostos a ouvir.

Impossível não condicionar cada parágrafo desse texto aos verbos ser e existir no tempo presente. A atemporalidade das suas palavras reside na pureza de intenção ao escrevê-las. Pureza em meio ao ar lúgubre. Sob um céu acinzentado e funesto, seus relatos são doses arrebatadoras de si. Leve em conta que cada pessoa é um universo e há uma bela dimensão dos infinitos caminhos que Ana C. me leva a percorrer para entendê-la. Ela não foge. Ela grita, expõe, escancara. Mas seria eu capaz de entender seu universo?

De livro aberto nas mãos, me pego ainda pensando no seu universo e nos seus gritos. As questões sobre universos pessoais são tão paradoxais, que resolvo me ater ao presente. Agora, com o livro fechado, estão ali gritos do meu universo que Ana C. trata de ouvir e registrar, para que quando eu abra sua Poética novamente, ela me grite de volta.

 

Prévia FLIP 2016

Por Caio Lima

Com o passar dos anos, a FLIP perdeu o viés popular que uma festa literária deveria ter, pelo menos na minha humilde forma de pensar. E com a crise isso ficou muito (MUITO) evidente ano passado. Artistas de rua sumiram e as manifestações espontâneas também. Isso tira muito o brilho de uma festa situada numa cidade onde tudo acontece exatamente nas ruas. A festa esvaziou, pois o grande público não se sentiu atingido. Até na livraria estava tranquilo de ir, com estantes organizadas e sem empurra-empurra.

A FLIP 2016 tenta trazer novos ares à festa. A primeira nova abordagem já é muito surpreendente ao homenagear Ana Cristina César. A figura de Ana Cristina César na literatura é emblemática, apesar da sua história reduzida.

Ao homenagear Ana C. há a volta de uma mulher como referência da festa após mais de uma década. E o que isso representa para FLIP em si? Ana C. é uma mulher forte e isso abre mais brechas para continuar a alimentar a discussão acerca da importância da mulher na literatura. É uma preocupação do evento e sempre me são reveladas excelentes autoras em excelentes mesas.

Mas Ana C. traz consigo uma bagagem muito maior do que ser apenas uma poetisa das boas. Ela é um ícone da poesia marginal. Pelos meus poucos lidos, lançava seus livros em “folhetins”, tendo somente sua obra máxima, A Teus Pés, lançada por uma grande editora e com boa tiragem. E carregando essa responsabilidade de trazer a poesia marginal, a FLIP tenta aproximar o grande público da literatura. A organização estava pragmática demais. Mas esse ano promete mudar.

Na busca de recuperar o fôlego, a FLIP diversificará suas mesas como nunca, mas fica bem explícito outro intento da curadoria da festa: tratar dos males da alma. A saturação do cotidiano gerada pelo estresse, a ansiedade, a depressão e todas as mazelas que caracterizam os anos 10 serão abordadas à luz de múltiplos pontos de vista. Além de autores, teremos médicos, cientistas, jornalistas, cineastas e entusiastas que abraçarão essa temática. A combinação entre literatura marginal e os males da alma parece ser um tiro certeiro para atrair a atenção do público como um todo, mesmo nesse momento de crise.

As mesas foram distribuídas para desmembrar um tema tão amplo e complexo, criando uma atmosfera convidativa que embasa o construtivismo que me aparenta ser pretendido pela organização da festa. Então aspectos pessoais, sociais, históricos, geográficos e clínicos tem o papel de se unir para criar não só o ambiente de festa literária. Mas essa temática tem a necessidade da interação do público. Essa aproximação das mesas com situações tão reais e a participação muito mais incisiva do público formam uma boa ferramenta para trazer a festa a uma esfera mais popular e seguir um caminho bem diferente de edições anteriores.

Eu não me lembro de ter visto uma FLIP tão redondinha, tão preocupada em trabalhar um tema através de todos os focos possíveis sem se perder por nenhum momento do que é a festa literária. A nova visão e formato permitem a inclusão, a troca de experiências e aparentemente a FLIP perde um pouco essa cara de evento formal, cult e elitista.

E dentro de todo esse contexto eu vou passar a minha programação de mesas para a FLIP 2016 e comentar o que eu espero dessas tais. Acho que 90% das mesas serão muito boas, mas quero tirar um tempo pra dar uma olhada nas ruas de Paraty esse ano. Já que vamos falar de literatura marginal, quero ir direto à fonte. Vamos lá!


29/06 – Quarta-feira – 19h|sessão de abertura: Em tecnicolor.

Armando Freitas Filho e Walter Carvalho.

Armando Freitas Filho era colado com Ana C. (a moça dedicou seu principal livro para o carinha, apenas). Não preciso falar muita coisa além de que ali vai rolar um verdadeiro apanhado da vivência da homenageada da FLIP 2016, introduzindo de uma maneira muito pessoal o impacto literário de Ana C. e da poesia marginal como um todo. Walter Carvalho, para quem é do meio, é unânime. Acabou de fazer um documentário sobre o poeta Armando. Vem enriquecer a mesa. Uma mesa de respeito para começar bem a FLIP 2016.

30/06 – Quinta-feira – 10h|mesa 1: A teus pés

Annita Costa Malufe, Laura Liuzzi e Marília Garcia

Três poetisas de primeira contando suas experiências baseadas no livro mais famoso da homenageada da festa. Vivência pura! Experiência muito válida para conhecer literatura contemporânea e os meandros do mundo literário para novas autoras brasileiras.

30/06 – Quinta-feira – 15h|mesa 3: Os olhos da rua

Caco Barcellos e Misha Glenny

Bom, eu já li Rota 66 e O Abusado, do Caco. São dois livros sufocantes e que expõem o que é o submundo das cidades. A qualidade do seu trabalho é irretocável e ele tem na sua história como repórter a sensibilidade de dar voz aos que vivem à margem. Ele, por si só, já faria uma baita mesa. Mas como se não fosse o bastante, vem o Misha Glenny e sua biografia do traficante Nem, da Rocinha, conferir ainda mais peso à discussão. Mostrando a importância conquistada por sociedades clandestinas dentro de Estados deficientes, será uma mesa para abrir (leia quebrar) a cabeça e desconstruir preconceitos. Excelente!

30/06 – Quinta-feira – 21h30|mesa 6: Na pior em Nova York e Edimburgo

Bill Clegg e Irvine Welsh

Contracultura. Essa mesa promete. Irvine Welsh escreveu um dos maiores clássicos da rebeldia urbana, um grito contra o sistema. Bill Clegg começou a se aventurar na escrita agora tratando justamente da depressão causada pela sociedade e suas amarras. As formas expostas pelos dois autores para quebrar isso tudo são drásticas e consideradas não saudáveis levando em conta um pensamento convencional. Mas de convencional essa mesa não tem absolutamente nada. Ainda bem! É pra encerrar o dia com um sentimento de vazio e cheio de reflexões existenciais. Quem me conhece, sabe que essa mesa eu não perco por nada. FLIP apelou!

01/07 – Sexta-feira – 10h|mesa 7: Breviário do Brasil

Benjamin Moser e Kenneth Maxwell

Dois gringos que se amarram no Brasil. E, pasmem, possuem um nível absurdo de compreensão do que está rolando por aqui. Esse olhar de “quem vê de fora” é importante e necessário para algumas reflexões. Descobrir o que esses dois viram de tão especial no Brasil também é algo bem legal. E, por fim, Moser escreveu a biografia de Clarice Lispector de forma primorosa. Excelente começo de dia.

01/07 – Sexta-feira – 15h|mesa 9: O show do eu

Christian Dunker e Paula Sibilia

Uma mesa mais técnica, mas não menos importante ou interessante. Tratar da individualização que a tecnologia trouxe é muito importante. Os efeitos implicados disso na educação, mais ainda. A análise da necessidade da auto exposição e o crescimento contínuo do isolamento em atividades costumeiramente sociais devem ser temas abordados aqui. Coisa que me interessa muito. Mesa pra ligar o sinal de alerta da galera.

01/07 – Sexta-feira – 17h15|mesa 10: Encontro com Karl Ove Knausgard

Karl Ove é um dos escritores com mais hype da atualidade por conta da sua série (seis livros!) de romances autobiográficos, Minha Luta (quatro já traduzidos pro Brasil). Dentro do que pude apurar, existem muitas tensões no seu relacionamento familiar e no modo como transfigura em atitudes a sua visão de mundo. E não é que há aí outra abordagem sobre os aspectos da alma? Acho que esse norueguês cheio de fama tem bastante coisa pra falar e é uma maneira de lançar um olhar mais atento para uma obra tão aclamada. Cheiro de coisa boa.

01/07 – Sexta-feira – 21h30|mesa 12: Sexografias

Gabriele Wiener e Juliana Frank

Duas escritoras que cresceram explorando formas radicais na prática do sexo e surgiram da marginalidade, encarando tabus e mais tabus que o tema por si só (ainda não sei como sexo pode ser tabu!?) carrega desde os primórdios da nossa civilização. O domínio sobre o corpo, o inusitado e um bocado de sadismo, são os assuntos que irão permear a conversa e prometem incendiar a última mesa da sexta-feira. Bem oportuno encerrar o dia assim, aliás. Olha que FLIP ousada!

02/07 – Sábado – 10h|mesa 13: Encontro com Leonardo Fróes

O cara é um baita de um poeta, tá completando 50 anos de carreira e tá lançando livro em comemoração. É pra ver, ouvir, contemplar, aprender, aplaudir, comprar o livro, encarar fila, pegar autógrafo, pedir foto e postar no insta.

02/07 – Sábado – 12h|mesa14: De Clarice a Ana C.

Benjamin Moser e Heloísa Buarque de Hollanda

Uma mesa traçando uma linha entre as obras das duas únicas autoras homenageadas pela FLIP e dois dos maiores expoentes da literatura brasileira. Os participantes dispensam comentários pela qualidade e pelo conhecimento de causa. Vai ser uma tremenda viagem aos mundos e submundos literários. Uma mesa de excelência.

02/07 – Sábado – 17h15|mesa 16: Encontro com Svetlana Aleksiévitch

Ela só foi a Prêmio Nobel de 2015. Isso é pouco? Quer mais? Sério mesmo? As obras dela acabaram de chegar ao Brasil e ela vem apresentar seu trabalho que gira muito entorno do aparelhamento e desmonte da URSS. Promete ser uma mesa para arrancar suspiros.

03/07 – Domingo – 10h|mesa 19: Síria mon amour

Abud Said e Patrícia Campos Mello

Aulinha de história e geografia sobre um dos acontecimentos mais tristes e emblemáticos dos dias atuais, a guerra da Síria. Um Sírio refugiado na Alemanha e uma correspondente de guerra prometem lançar uma boa luz acerca dos acontecimentos com pontos de vista que vão um pouco além do que os grandes veículos se preocupam em mostrar. O domingo vai começar pesado.


Essas são as mesas que eu irei acompanhar com certeza, mas isso não descarta que eu me interesse pelas que ficaram de fora. Apesar de que essas aí já vão render bastante assunto…

Durante as próximas duas semanas o conteúdo do blog será todo direcionado por conta da FLIP. Vai rolar uma cobertura bacana e um material especial pra galera. Gostaram? Não? Porque não? Sugestões? Dúvidas? Críticas? Convites? Álcool? Tamo junto! Hahaha