Svetlana Aleksiévitch – Vozes de Tchernóbil

Por Caio Lima

Pessoas fazem história todo dia. Eu, você, a tia que vende tapioca na faculdade (saudades, tia) e todo mundo. Somos fonte da história que fazemos e das que vamos nos metendo pelo caminho. A dimensão que você dá a sua própria história depende de você e com quem você a divide. A maioria das pessoas pode achar que esse blog é um fracasso, por exemplo. Eu o colocaria como um sucesso. Só as pessoas que me foram trazidas por esse singelo espaço, o tornam um sucesso.

Esses múltiplos sentidos da vida são melhores que qualquer autoajuda. Talvez seja o que dê o reconhecimento (merecido) ao Vozes de Tchernóbil, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2015, “ouvido e transcrito” pela bielorrussa Svetlana Aleksiévitch. Muito provavelmente esse foi o livro que me causou mais problemas nessa vida de fazer resenhas:

  1. Pelo fato de ter me deixado num estado de morbidez, comfortably numb (Waters, Gilmour, paga nóis), fora do comum;
  2. Após a mesa da Svetlana na FLIP, eu fiquei me perguntando “o que mais eu poderia falar?”. Ela chegou com o pé na porta e amarrou muito bem os assuntos;
  3. É um livro que está sendo tão resenhado, que eu estou com um medo muito sério de ser repetitivo e ficar no lugar comum. O que complica, porque mais do mesmo é muito ruim pra quem lê e para o ego de quem escreve também. Hehehe.

Somos acostumados a aprender a história através dos tecnicismos escolares. Um expoente majoritário que cria as bases/leis/regras, uma situação específica e um lugar no planeta, misture tudo numa bacia e pronto, temos um evento histórico. Vemos tudo de longe, como se teorias políticas, guerras, desastres, civilizações e a própria evolução fossem imbuídas de caracterizar e organizar a história por si só. Talvez seja isso mesmo. Essa história é continuamente escrita e documentada.

Sob essa perspectiva continuamente escrita, ficamos tristes ao ver inocentes mortos pela interminável guerra de poder nas cidades. A falta de segurança e a não perspectiva de uma solução são alarmantes. Mas essa mesma violência é natural. Discutimos a inabilidade do Estado para lidar com isso, como o crime é organizado, corrupção, boas maneiras e qual uva faz o melhor vinho, tudo ao mesmo tempo. Somos capazes de falar que “o João Roleta, irmão do Zé Catraca, lá do morro do Véu Vendado, morreu com um tiro de 12 na cara” com uma indiferença sórdida.

Svetlana Aleksiévitch - Vozes de Tchernóbil.jpgÉ lógico que quando lemos a palavra Tchernóbil, o que vem a mente é a catástrofe. Os fatos e o tempo. Os fatos explicam muito bem o impacto de Tchernóbil para a ciência, a política, enfim, para a história. O tempo, intuitivamente, selecionou cada fato grande o suficiente para fazer valer à pena sua relevância histórica. Há diversos cacoetes e chavões técnicos ao se discutir Tchernóbil, talvez para que a soma entre tempo e fato não nos dê a chance de sofrer além do acidente em si. Nada é mais importante que a história, afinal. Mas é tudo tão distante, ermo e frio.

Dizem que ouvir e colocar os relatos num livro não é literatura, não é livro jornalístico, não é nada além de um documento. Aí você vê um “documento” ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Procurando a história do tal “documento”, eu descobri que isso é fruto de 40 anos de entrevistas que formam uma série de cinco livros chamada Vozes da Utopia (que nome! QUE NOME!). Resultado de jornalismo investigativo puro, sensibilidade, empatia e vontade de realizar um trabalho que não seja apenas transcrever um conjunto de grandes histórias, mas revelar pedaços que a história insiste em suprimir até ocultar. As histórias que sucumbem ante a imponência dos fatos e o poder do tempo.

Da Svetlana, em si, temos um breve prefácio, os títulos dos relatos (magníficos), o discurso feito ao ganhar o Nobel de Literatura e os parênteses com as reações dos entrevistados. E só. Esqueça qualquer ardil literário, manifestação política, aquele estoicismo que encontramos nos nossos historiadores preferidos, o duplipensar de autores medíocres que querem seguidores fiéis e espaço na mídia, os fatos que compõem um artigo científico e a criatividade interminável de um autor de ficção científica. Nada disso existe em Vozes de Tchernóbil. São apenas relatos das pessoas que conviveram ou ainda convivem com a tragédia. A abrangência dos relatos, a urgência, o sentido disso tudo, fica a cargo do leitor.

Em meio aos grandes momentos da história existe algo subjetivo, manipulável e frágil. Cada entrevistado, na profunda dor, na inocência, inconformismo, devoção, incredulidade ou pureza, passou uma visão muito particular do que foi Tchernóbil. De como as vidas foram modificadas, ou não. Essa coleção de relatos profundos, pacientes, que divagam de um ponto ao outro, muitas vezes sem objetivo nenhum, nos colocam frente a frente com a maior deficiência que temos: a capacidade de se colocar no lugar do outro, a falta de empatia com o sofrimento alheio. Não existe uma transferência de culpa ou vitimismo. O livro inteiro é um exercício extremamente físico de como reagimos a cada um daqueles depoimentos. Ou você se rende e se abre para absorver as experiências das pessoas ou você larga o livro.

Entender as pessoas. Ouvir, absorver, sentir. Foi a única coisa que Svetlana fez ao longo dos anos. A “mulher-ouvido”, sem escrever uma única palavra de sua autoria, provocou esse alarde todo. Deu espaço a todas essas vozes que a grande história ocultou. São essas as pessoas, e outras tantas, atingidas pela catástrofe nuclear de Tchernóbil. Agora todos nós as conhecemos. Eu nunca fui capaz de pensar sob esse aspecto. Acredito que poucos foram.

Ao longo do livro eu fui desarmado. Nenhuma evidência histórica me traria a sensação de desalento ao ver trabalhadores rurais tão apegados a sua terra, agora contaminada até o talo com radiação, voltarem para suas casas e continuarem suas vidas e comerem seus tomates, agora radiativos. O avanço das horas não me fez chorar menos com as crianças, que corriam de peito aberto e não aceitavam serem castigadas por algo que não podem ver, sentir ou tocar. A radiação transformaria a todas, inevitavelmente. Suas esperanças me transformaram, felizmente.

Através da perspectiva de cada um, enxergamos uma hecatombe diferente. Momentos de profunda devastação moral, com os primeiro e último relatos do livro. Momentos de riso frouxo com algumas figuronas. Momentos de esperança com os relatos das crianças. Momentos de ternura, raiva, inconformismo. Uma coleção de visões. É estranho quando você se reconhece capaz de entender outra pessoa plenamente lendo apenas um relato dela, não é? Não somos acostumados a isso no cotidiano. Isso choca.

O evento, em si, desencadeia tudo. Mas o que dá o sentido a tudo são as pessoas. Coisa que a história faz questão de esquecer ou não mostrar. Sempre compramos uma versão técnica, bonita e cheia de correção para fazer jus aos fatos e ao tempo. Mas a história é feita por pessoas, para pessoas e atinge pessoas. Qualquer ideal que deturpe isso nos afasta do que verdadeiramente somos. Vozes de Tchernóbil no traz de volta instantaneamente, assim, finalmente, vemos as nossas imagens refletidas num espelho, quando somos educados para enxergar tudo em vitrines. São iluminados os capazes de provocar isso. Ou são, tão simplesmente, humanos.

O trabalho de Svetlana é tão especial por isso. É uma reeducação do ser humano, uma nova aula de história. Durante três semanas pensei em como resenhar esse livro. Hoje ainda sinto que essa resenha não será capaz de tocar alguém como eu acho que deveria tocar, muito provável que eu tenha ficado no lugar comum. Mas isso deixou de me interessar. Meus olhos se voltam às histórias que vivencio diariamente, nos fatos que a história anda registrando mundo afora e, principalmente, nas milhares de histórias que o tempo e os fatos farão questão de passar por cima. O tempo, o fato e a história. Não, nada disso importa mais.

Tenda dos Autores – Parte 02|FLIP 2016

Por Caio, Pedro, Patrick, Flor, Yumi, Paula e tô com preguiça. Depois passo a senha e daí tu inclui o nome aqui, já é? Já é.

Qual é a da parada, rapeize? Vamos continuando os trabalhos falando das outras mesas que cobrimos na Tenda dos Autores. Se liga só:

01/07 – Sexta-feira – 10h|mesa 7: Breviário do Brasil

Benjamin Moser e Kenneth Maxwell

Meu amigo Pedro Mário, que estava com uma flor de pessoa, deu o papo: é um tanto difícil discutir o atual momento da Terra de Vera Cruz em pouco mais de uma hora. Mas esses dois caras são corajosos e botaram a cara no sol pra falar o que eles conseguem concluir lá de fora. Ou seja, NADA. E não é brincadeira, não. Eles falaram várias paradas certas, mas nada que não saibamos. Lógico que esse ponto de vista de fora desenvolve alguns conceitos. Mas deu pra perceber que é muito difícil interpretar o que tá rolando por aqui.

Uma tarefazinha ingrata, cara. Existem muitos Brasis dentro do Brasil. É um país difícil de explicar em anos, imagine numa mesa. A única coisa que fica evidente é a perplexidade quanto ao colapso político que vivemos. Na verdade, os colapsos políticos são recorrentes por diferentes motivos e cada geração tem suas esperanças perdidas. Apesar do olhar racional e da defesa ferrenha pelo término dessa história de “complexo de vira-lata”, é muito evidente que não há resposta de fora para o que acontece por aqui. As indignações parecem ser gritantes demais para que haja espaço para soluções, visto de dentro ou visto de fora.

Um lance bem irado é explicar o conceito da criação de Brasília e é bem real essa parada. Viajei por horas nisso. Os governantes ficam totalmente isolados. Que bizarro isso, cara. Os caras não temem o povo porque nada chega até eles. E a gente aqui batendo panela…

Enfim, é uma mesa que ajudou a observar o que rola por aqui através de um view gringo, mas não foram novidades. Foram pontos de vista mais aprofundados e sob uma ótica não usual, o que é bom também. Tá valendo.

01/07 – Sexta-feira – 15h|mesa 9: O show do eu

Christian Dunker e Paula Sibilia

Ousadia e alegria. É a espetacularização do cotidiano. A necessidade de se autopromover é cada vez mais forte e explorar os limites disso é muito importante. O livro da Paula dá o nome à mesa. Ela, inclusive, lança os tópicos da mesa mais que a mediadora. Já disse, ousadia e alegria.

Mas o papo é bem sério agora. Qual o poder adquirido através das redes sociais e de toda essa onda digital que deixa confortável e natural essa necessidade de expor o privado? Afinal, quais são os novos limites do público e do privado? Com a tecnologia os conceitos se misturam, até.

E a validade dos argumentos sobre esse tipo de doença tecnológica interferem até no modelo de escola que temos, cara. É agressivo estar nos moldes atuais da escola. As ocupações são um retrato disso.

O deslocamento do eixo que constrói o que nós somos (ficou poético isso, cara) sai de valores interiores para valores exteriores sem qualquer tipo de filtro, o indivíduo passa a ficar muito vulnerável porque perde a subjetividade. Então o vazio criado gera uma série de novos problemas. Os males do novo século. Daí você faz assim: senta, absorve, chora, reflete, chora, pensa na vida, chora, olha no espelho, chora e daí bate palma.

01/07 – Sexta-feira – 17h15|mesa 10: Encontro com Karl Ove Knausgard

Então, o cara chega aqui no Brasa cheio de fama, com uma das obras mais aclamadas dos últimos anos e geral querendo ouvir o que o caboclo tem pra falar. Esse lance da FLIP de “Encontro com” foi uma jogada de risco, mas que deu certo. A mesa do cara foi um sucesso. Eu fiquei muito na pilha de ler a série do cara ali na hora.

A história dele com o pai, o que deu assunto para que escrevesse a série “Minha Luta”, é uma parada bem cabulosa. Uma juventude reprimida em todos os sentidos. Família religiosa e tal. Pra ter uma ideia, o amigo explana que tocou uma só aos dezenove anos. É irmão, as coisas não são fáceis na família tradicional norueguesa.

Mas duas paradas me incomodaram. A primeira é que o cara, para compensar toda a repressão, timidez e sei lá mais o que, tem uns devaneios meio megalomaníacos, saca? Meio que o Exodia (entendedores entenderão) dentro daquele mundo que ele enxerga (e vive). Pode ser impressão, mas isso cortou essa vibe bacana de aproximação entre autor e leitor, convidado e público, que eu tanto falei por aí.

Outra parada foi a Cia. das Letras que avacalhou com os autógrafos. Eu não faço questão de assinatura de ninguém, mas vi muita gente bolada porque só receberam uma rubrica e nem contato com o autor tiveram. Um aperto de mão não mata ninguém, po. Tudo bem que o cara deve ter n compromissos, mas e a galera pega fila, paga caro no livro e cria expectativa por um rabisco do cacique da Noruega? Não concordo muito com essa parada não, na boa.

01/07 – Sexta-feira – 21h30|mesa 12: Sexografias

Gabriele Wiener e Juliana Frank

Manja quando eu falei dos mediadores que estragam tudo? Toma outra dose aí. O cara deu umas trezentas bolas fora. A pior delas foi insinuar que a Gabriela Wiener é pervertida por praticar o poliamor. Faltou cara pra ficar vermelha. Vergonha alheia total.

A leitura intercalada dos trechos dos livros das duas convidadas foi bem fraca. As duas atrizes se confundiram, erraram no tom e deixaram as coisas bem sem sal. Prelúdio de um desastre.

Em se tratando da mesa, depois do ano passado a expectativa estava como? Lá no alto. Geral saindo da Tenda dos Autores direto pra pousada e tal. Mas aí convidaram a Juliana Frank, que escreve livros eróticos e é bem descolada. A Juliana roubou a cena desde o primeiro momento pelo simples fato de aparentar viver num mundo anos luz à frente do nosso. Vida avançada total. A mina a cada pergunta viajava para um mundo totalmente dela. O problema é que ninguém tinha acesso. O pior é que ela começava bem as respostas, criava aquela expectativa na galera. Mas daí o caldo entornava e, ou a gente ficava puto, ou ria. Eu, particularmente, me diverti demais. Quero muito usar o que ela usa ou aprender a elevar meu espírito dessa maneira. Meta da vida é ler os livros dessa mulher, na moral.

A Gabriela ficou intimidada, mas depois mostrou a que veio. Pena que isso rolou faltando cinco minutos para acabar a mesa. Mas deu pra sacar qual é a dela e fiquei muito interessado no seu trabalho.

Era uma mesa que tinha tudo para ser um sucesso absoluto, mas causou vergonha alheia por vários motivos. FLIP, qual o seu problema com as mesas que deveriam ser polêmicas?

Ô Yumi, ô Paula, o que é o brechó?

02/07 – Sábado – 10h|mesa 13: Encontro com Leonardo Fróes

Sempre que perguntarem se esse tipo de mesa “Encontro com” deu certo, usem essa mesa com o Fróes. Que cara bacana. Na boa. Vontade de chama-lo para tomar um café e ficar ali papeando com o cara, só ouvindo as experiências dele. Tranquilão no baile.

O cara é o homem natureza e baseou sua poesia nas experiências transcendentais de sua jornada que já rodou o mundo inteiro. Numa escalada ou na horta de casa, tudo inspira Fróes. A natureza lhe é íntima e compõe cada cenário da sua poesia.

É incrível as relações que ele faz entre a natureza e a política, até. O cara é de uma sabedoria absurda. A simplicidade no modo de ver a vida. Manja quando tu olha pra pessoa e vê uma pessoa realizada? Isso dá maior satisfação, não dá? Então, esse é o poeta Leonardo Fróes.

Cara, pare e ouça. Vai lá. O cara é demais e participar disso foi mágico!

02/07 – Sábado – 12h|mesa14: De Clarice a Ana C.

Benjamin Moser e Heloísa Buarque de Hollanda

“Se Heloísa descobriu Ana C., Benjamin redescobriu Clarice”. Essa frase resume a mesa, né? Tá bom, posso ir embora, tchau. Sacanagem. A parada é que traçando um perfil dessas duas escritoras, há uma questão interessante e eu acho que seja o motivo de terem elaborado essa mesa. Ambas, Clarice e Ana C., foram consumidas pela literatura que produziram. É uma obsessão que só cresce a partir do momento que você produz mais. Clarice tem uma vasta obra e Ana C. tem um legado curto, mas muito imponente. Essa obsessão das duas pode ser percebida, bem como os efeitos dessa compulsão pela literatura que produziram. Isso abre o prisma de significados que toma uma das frases preferidas de Ana C.: “o poeta é um fingidor”.

Questões religiosas, de gerações e da própria vida, vão afastando as duas, mas a obsessão pela literatura as une com uma força brutal. O envolvimento passado para o leitor ao lê-las é onde elas se encontram no panteão das gigantes da literatura.

Ressalto o total preparo da mediadora, que conduziu a mesa de forma divina. E os convidados que são duas almas iluminadas e profundamente conhecedoras das duas autoras. Mesa pra não botar defeito.

02/07 – Sábado – 17h15|mesa 16: Encontro com Svetlana Aleksiévitch

O que falar da Veveta? Não é à toa que ela teve que dar quase mil autógrafos, coitada (Cia. das Letras prejudicou a galera de novo com a organização, quase teve treta). Conquistou o coração de geral. Uma recém-premiada com o Nobel de Literatura em Paraty. As expectativas eram estrogonoficamente altas. Aí ela chega naquele jeito manso de ser e deixa todo mundo com a cara no chão ao dar uma aula de humanismo, empatia, história e amor.

Ela veio por conta do Vozes de Tchernóbil, título que a fez ser premiada, mas ela escreveu cinco obras acerca do período que abrange o fim da Segunda Guerra e a queda da URSS. A essa reunião de cinco pontos de vista diferentes, ela chama de Vozes da Utopia. Na moral, uma mulher que lança uma série sobre esse período e batiza sua série como VOZES DA UTOPIA. Precisa de mais alguma coisa?

Dois volumes já foram lançados pela Cia. das Letras (paga nóis pelo merchan, po) e eu já os devorei (em breve resenhas, mês da FLIP e tal). Os outros devem sair ano que vem. Só façam o seguinte: procurem a mesa no YouTube, assistam, caiam de amores, comprem os livros, leiam freneticamente e consumam tudo que essa mulher produz. Que coisa maravilhosa.

Ela é a verdadeira resistência nesse mundo, cara. Na boa, máximo respeito pela Veveta. As definições de “homem vermelho” e “homem consumo”, ela dissertando sobre liberdade. Aaaaah, vou parar por aqui. Vão caçar a mesa e ganhar uma hora de vida.

02/07 – Sábado – 19h30|mesa 17: O Falcão e a Fênix

Helen Macdonald e Maria Esther Maciel

Eu quero ler F de Falcão, e acho que quero ter um falcão só pra pegar os trejeitos dele e ficar assustando o público quando me convidarem para a FLIP algum dia.

Foi uma mesa surpreendente. Tanto que nem estava na minha programação. Mas a Helen tem um talento para falar em público e seu relacionamento com seu falcão é uma parada muito bonita.

A brazuca tomou chá de Juliana e, numa mistura de nonsense total e academicismo avançado, deu umas escapadas na hora de fazer a curva. Algumas onomatopeias foram irresistíveis e rolou uma aulinha de história bem maneira. Chá de Juliana tem poder.

Mas a mesa, num contexto geral, foi bem bacana. O vinho de 10 conto tava bão também!

02/07 – Sábado – 21h30|mesa 18: O palco é a página

Kate Tempest e Ramon Nunes Mello

A grande surpresa da FLIP para mim e, presumo, para a crítica, foi a britânica Kate Tempest. Eu já ouvi uns trampos dela com rap, mas nem me ligava que ela estava escrevendo. Ainda bem que ela está escrevendo, cara! Escreve muito! Que presença e que palavras. Ela põe muito sentimento em tudo que faz e dá um show.

O Ramon estava ali só esperando a deixa dele e marcou boa presença também. O lance de revelar que é soropositivo foi surpreendente para uma boa galera no telão. Mas é mais uma daquelas aulas que a poesia insiste em dar: o maluco escreve com tanto amor, de forma tão bonita, que esse distanciamento que a frase “eu tenho aids” provoca, virou pó.

Ambos falaram muita coisa sobre a representatividade da arte num contexto de quebrar preconceitos e estigmas sociais. Mas acho que a Kate resumiu bem a função da poesia em essência: “a poesia nunca está completa se não é compartilhada, se ninguém a ouve. O trabalho da poesia só se torna completo quando atinge um receptor”.

A poesia agradece a presença dos dois fechando o glorioso dia de sábado. Foram mais que excelentes ao cumprir o seu papel.

P.S.: Só a Yumi teve grana pra levar o livro da Kate, cobrem resenha dela.

03/07 – Domingo – 10h|mesa 19: Síria mon amour

Abud Said e Patrícia Campos Mello

A Patrícia chegou falando da experiência dela como correspondente de guerra e empolgou. Logo na primeira pergunta ela já fez um link com vários assuntos, como sensacionalismo da imprensa em cima da imagem do menino Aylan Kurdi, o menino refugiado encontrado morto na praia que virou manchete no mundo inteiro, e extremismo religioso. Mandou bem demais. Domingo de manhã, cheio de ressaca, mas estava eu lá cheio de disposição. Pensei comigo assim que ela acabou de falar “sáparada vai ser como, quente”.

Aí o querido mediador, que levou um baile da Juliana (Drunk) Frank, tomou outro baile. O Abud, o cara mais esperto do Facebook (deixa nóis promover a página de graça), só falou o seguinte: “Eu não sou escritor. Uma alemão encontrou meus textos no Facebook, pediu para traduzir e eu fui morar na Alemanha. Agora me convidam para eventos como a FLIP, num hotel cinco estrelas e ontem fiquei três horas na sauna. Então isso é o que importa para mim. O confronto na Síria não tem a ver comigo. Eu, particularmente, não me importo e não vou responder sobre a Síria. Então não me façam perguntas sobre a Síria que eu não vou responder.”.

A mesa acabou! Aguentar uma hora dessa ladainha desse Sírio mequetrefe anulando uma baita jornalista é brincadeira. Todo mundo constrangido. Eu fui embora após ele fazer a comparação entre o profissionalismo alemão e o brasileiro, num discurso cheio de preconceito. Bola fora total. Pior mesa da FLIP de longe.

“Ei, Abud, vai tomar café”, gritava a plateia ensandecida ao desejar que Abud ficasse pobre instantaneamente.

03/07 – Domingo – 12h|mesa 20: Sessão de encerramento: Luvas de pelica

Sérgio Alcides e Vilma Arêas

A mesa mais bonita da FLIP. O Sérgio é crítico literário e estudioso de Ana C., a Vilma foi professora e amiga da mulher. Era para ser uma mesa técnica pra caramba. Mas veja do que excelentes professores são capazes. Ao esmiuçar Ana Cristina Cesar para o público, eles tornaram sua obra cada vez mais humana. A cada camada de Ana C. eles explicavam tecnicamente tudo o que eu senti lendo. Algo absurdo e surpreendente para mim.

E, do nada, Ana Cristina ficou entendível para todos. Sérgio foi muito feliz ao falar das referências perdidas na poesia de Ana C. e em como faz bem não reconhecer todas as referências. Essa é a mutação da poesia dela e o que há de eterno em sua obra. O segredo, a provocação, o íntimo e a aproximação com o receptor da mensagem, independente do sentido dado às palavras.

Vilma foi pela mesma linha e ainda disse mais sobre como Ana Cristina tinha esse poder de provocar e de fingir, na sua escrita, diversos estados da alma. Essa capacidade de mover palavras e deixar sensações implícitas é algo extremamente difícil e literário.

Enfim, vale a pena ver de novo. Vejam! É de aplaudir de pé todas as vezes.

E quando Vilma lê o poema de Cacaso para Ana Cristina, escrito após seu suicídio. Aquilo é a magia da literatura. Aquilo é amor. Sintetizou o que foi a mesa e encerrou a FLIP 2016 com chave de ouro. Ver pessoas que não faziam ideia de quem era Ana Cristina César antes da FLIP saírem chorando copiosamente é a prova viva de que o legado da autora é eterno. Que espetáculo! Que coisa linda!

É isso, meu povo! Essa foi a cobertura redondinha que o Rede de Intrigas fez da Tenda dos Autores. Nem mencionamos a Mesa 21: Livro de cabeceira, porque ficar falando de escritor lendo enche o saco. Muito chato isso.

Aguardem que agora vem as outras mesas, o que achamos nas ruas e uma colab com a Yumi e a Paula, queridas demais, do blog Me formo em 2080. Chora, que esse é só o começo!

Aguarda na Disciplina|FLIP 2016

A FLIP 2016 terminou e agora começa a nossa jornada de posts. Em termos gerais, foi mesmo o que eu havia previsto: mais interação do público, mesas com assuntos encaixados e mais artistas de rua. Claro que o mundo não é perfeito como eu gostaria que fosse e temos aqui algumas dúzias de problemas, mas isso é papo de futuro.

Antes de falar sobre o evento, existe algo muito mais importante que deve ser colocado aqui: com menos de dois meses, o Rede de Intrigas contou com a colaboração de muita gente e a FLIP 2016 foi o extrato disso. Aos que ajudaram com a cobertura do evento, nas ruas, na correria das mesas super distantes, nos imprevistos, nas caronas e quem estava de longe, sempre me atualizando, solicitando e sugerindo. Agradeço aos autores que tiveram a paciência de ouvir, assimilar e contribuir. E agradeço previamente as pessoas que me ajudarão a organizar todo o mundo de materiais e serão meus revisores, analistas e sempre serão companheiros fieis. Repetindo, com menos de dois meses de história o Rede de Intrigas já pode ser considerado um projeto de extremo sucesso ao conseguir envolver por livre e espontânea vontade uma galera comprometida com a arte. A vocês, meus amigos, faltam palavras de agradecimento.

Agora a FLIP. Ah, a FLIP. Foi uma festa diferente, mais humana, mais próxima das pessoas. A opção pela poesia marginal com a cara e a voz de uma mulher encurtou o distanciamento natural que a arte promove entre o receptor e o autor. Foi uma FLIP mais quente e até o clima ajudou.

Claro que alguns erros estruturais aconteceram e serão falados por aqui, porque aqui a gente não tem medo de meter o dedo na ferida. Tem bastante coisa pra falar e todas serão tratadas separadamente e de forma construtiva. Mas a mensagem foi dada e a FLIP, que via um público mais distante ano após ano, conseguiu ver uma aproximação muito clara. Mesmo com uma cidade mais vazia por conta de vários fatores, principalmente a crise, houve um massivo aumento da participação das pessoas. Não houve sensação de vazio em momento algum (a não ser em algumas mesas podres).

Os eventos aconteceram em todas as partes do centro histórico da cidade, então imaginem a correria que foi e o estado dos pés de todos que colaboraram para trazer uma cobertura da forma mais completa possível para vocês. Pois é, mas valeu a pena e o saldo foi extremamente positivo. Não apenas pelo material que coletamos, mas pela satisfação de cada um em estar ali. Valeu o cansaço e agora vem à próxima parte do trabalho, que é passar essa satisfação e o saldo disso tudo para vocês.

Para dar um gostinho do que foi essa FLIP e do que está por vir, rolou cobertura em quinze das vinte mesas da Tenda dos Autores, Casa Folha, Casa Rocco, Casa de Cultura, Casa SESC, lançamento de livro e muita coisa na rua, com os artistas que vieram por conta própria buscar o seu espaço. Passando esse estado letárgico que fica após cinco dias alucinantes, tô vendo que vou ter que escrever pra cacete!

É isso aí, galera. Aguardem na disciplina que tá saindo parada boa com as impressões da FLIP, resenhas exclusivas e muitas novidades do Rede de Intrigas para vocês.

Prévia FLIP 2016

Por Caio Lima

Com o passar dos anos, a FLIP perdeu o viés popular que uma festa literária deveria ter, pelo menos na minha humilde forma de pensar. E com a crise isso ficou muito (MUITO) evidente ano passado. Artistas de rua sumiram e as manifestações espontâneas também. Isso tira muito o brilho de uma festa situada numa cidade onde tudo acontece exatamente nas ruas. A festa esvaziou, pois o grande público não se sentiu atingido. Até na livraria estava tranquilo de ir, com estantes organizadas e sem empurra-empurra.

A FLIP 2016 tenta trazer novos ares à festa. A primeira nova abordagem já é muito surpreendente ao homenagear Ana Cristina César. A figura de Ana Cristina César na literatura é emblemática, apesar da sua história reduzida.

Ao homenagear Ana C. há a volta de uma mulher como referência da festa após mais de uma década. E o que isso representa para FLIP em si? Ana C. é uma mulher forte e isso abre mais brechas para continuar a alimentar a discussão acerca da importância da mulher na literatura. É uma preocupação do evento e sempre me são reveladas excelentes autoras em excelentes mesas.

Mas Ana C. traz consigo uma bagagem muito maior do que ser apenas uma poetisa das boas. Ela é um ícone da poesia marginal. Pelos meus poucos lidos, lançava seus livros em “folhetins”, tendo somente sua obra máxima, A Teus Pés, lançada por uma grande editora e com boa tiragem. E carregando essa responsabilidade de trazer a poesia marginal, a FLIP tenta aproximar o grande público da literatura. A organização estava pragmática demais. Mas esse ano promete mudar.

Na busca de recuperar o fôlego, a FLIP diversificará suas mesas como nunca, mas fica bem explícito outro intento da curadoria da festa: tratar dos males da alma. A saturação do cotidiano gerada pelo estresse, a ansiedade, a depressão e todas as mazelas que caracterizam os anos 10 serão abordadas à luz de múltiplos pontos de vista. Além de autores, teremos médicos, cientistas, jornalistas, cineastas e entusiastas que abraçarão essa temática. A combinação entre literatura marginal e os males da alma parece ser um tiro certeiro para atrair a atenção do público como um todo, mesmo nesse momento de crise.

As mesas foram distribuídas para desmembrar um tema tão amplo e complexo, criando uma atmosfera convidativa que embasa o construtivismo que me aparenta ser pretendido pela organização da festa. Então aspectos pessoais, sociais, históricos, geográficos e clínicos tem o papel de se unir para criar não só o ambiente de festa literária. Mas essa temática tem a necessidade da interação do público. Essa aproximação das mesas com situações tão reais e a participação muito mais incisiva do público formam uma boa ferramenta para trazer a festa a uma esfera mais popular e seguir um caminho bem diferente de edições anteriores.

Eu não me lembro de ter visto uma FLIP tão redondinha, tão preocupada em trabalhar um tema através de todos os focos possíveis sem se perder por nenhum momento do que é a festa literária. A nova visão e formato permitem a inclusão, a troca de experiências e aparentemente a FLIP perde um pouco essa cara de evento formal, cult e elitista.

E dentro de todo esse contexto eu vou passar a minha programação de mesas para a FLIP 2016 e comentar o que eu espero dessas tais. Acho que 90% das mesas serão muito boas, mas quero tirar um tempo pra dar uma olhada nas ruas de Paraty esse ano. Já que vamos falar de literatura marginal, quero ir direto à fonte. Vamos lá!


29/06 – Quarta-feira – 19h|sessão de abertura: Em tecnicolor.

Armando Freitas Filho e Walter Carvalho.

Armando Freitas Filho era colado com Ana C. (a moça dedicou seu principal livro para o carinha, apenas). Não preciso falar muita coisa além de que ali vai rolar um verdadeiro apanhado da vivência da homenageada da FLIP 2016, introduzindo de uma maneira muito pessoal o impacto literário de Ana C. e da poesia marginal como um todo. Walter Carvalho, para quem é do meio, é unânime. Acabou de fazer um documentário sobre o poeta Armando. Vem enriquecer a mesa. Uma mesa de respeito para começar bem a FLIP 2016.

30/06 – Quinta-feira – 10h|mesa 1: A teus pés

Annita Costa Malufe, Laura Liuzzi e Marília Garcia

Três poetisas de primeira contando suas experiências baseadas no livro mais famoso da homenageada da festa. Vivência pura! Experiência muito válida para conhecer literatura contemporânea e os meandros do mundo literário para novas autoras brasileiras.

30/06 – Quinta-feira – 15h|mesa 3: Os olhos da rua

Caco Barcellos e Misha Glenny

Bom, eu já li Rota 66 e O Abusado, do Caco. São dois livros sufocantes e que expõem o que é o submundo das cidades. A qualidade do seu trabalho é irretocável e ele tem na sua história como repórter a sensibilidade de dar voz aos que vivem à margem. Ele, por si só, já faria uma baita mesa. Mas como se não fosse o bastante, vem o Misha Glenny e sua biografia do traficante Nem, da Rocinha, conferir ainda mais peso à discussão. Mostrando a importância conquistada por sociedades clandestinas dentro de Estados deficientes, será uma mesa para abrir (leia quebrar) a cabeça e desconstruir preconceitos. Excelente!

30/06 – Quinta-feira – 21h30|mesa 6: Na pior em Nova York e Edimburgo

Bill Clegg e Irvine Welsh

Contracultura. Essa mesa promete. Irvine Welsh escreveu um dos maiores clássicos da rebeldia urbana, um grito contra o sistema. Bill Clegg começou a se aventurar na escrita agora tratando justamente da depressão causada pela sociedade e suas amarras. As formas expostas pelos dois autores para quebrar isso tudo são drásticas e consideradas não saudáveis levando em conta um pensamento convencional. Mas de convencional essa mesa não tem absolutamente nada. Ainda bem! É pra encerrar o dia com um sentimento de vazio e cheio de reflexões existenciais. Quem me conhece, sabe que essa mesa eu não perco por nada. FLIP apelou!

01/07 – Sexta-feira – 10h|mesa 7: Breviário do Brasil

Benjamin Moser e Kenneth Maxwell

Dois gringos que se amarram no Brasil. E, pasmem, possuem um nível absurdo de compreensão do que está rolando por aqui. Esse olhar de “quem vê de fora” é importante e necessário para algumas reflexões. Descobrir o que esses dois viram de tão especial no Brasil também é algo bem legal. E, por fim, Moser escreveu a biografia de Clarice Lispector de forma primorosa. Excelente começo de dia.

01/07 – Sexta-feira – 15h|mesa 9: O show do eu

Christian Dunker e Paula Sibilia

Uma mesa mais técnica, mas não menos importante ou interessante. Tratar da individualização que a tecnologia trouxe é muito importante. Os efeitos implicados disso na educação, mais ainda. A análise da necessidade da auto exposição e o crescimento contínuo do isolamento em atividades costumeiramente sociais devem ser temas abordados aqui. Coisa que me interessa muito. Mesa pra ligar o sinal de alerta da galera.

01/07 – Sexta-feira – 17h15|mesa 10: Encontro com Karl Ove Knausgard

Karl Ove é um dos escritores com mais hype da atualidade por conta da sua série (seis livros!) de romances autobiográficos, Minha Luta (quatro já traduzidos pro Brasil). Dentro do que pude apurar, existem muitas tensões no seu relacionamento familiar e no modo como transfigura em atitudes a sua visão de mundo. E não é que há aí outra abordagem sobre os aspectos da alma? Acho que esse norueguês cheio de fama tem bastante coisa pra falar e é uma maneira de lançar um olhar mais atento para uma obra tão aclamada. Cheiro de coisa boa.

01/07 – Sexta-feira – 21h30|mesa 12: Sexografias

Gabriele Wiener e Juliana Frank

Duas escritoras que cresceram explorando formas radicais na prática do sexo e surgiram da marginalidade, encarando tabus e mais tabus que o tema por si só (ainda não sei como sexo pode ser tabu!?) carrega desde os primórdios da nossa civilização. O domínio sobre o corpo, o inusitado e um bocado de sadismo, são os assuntos que irão permear a conversa e prometem incendiar a última mesa da sexta-feira. Bem oportuno encerrar o dia assim, aliás. Olha que FLIP ousada!

02/07 – Sábado – 10h|mesa 13: Encontro com Leonardo Fróes

O cara é um baita de um poeta, tá completando 50 anos de carreira e tá lançando livro em comemoração. É pra ver, ouvir, contemplar, aprender, aplaudir, comprar o livro, encarar fila, pegar autógrafo, pedir foto e postar no insta.

02/07 – Sábado – 12h|mesa14: De Clarice a Ana C.

Benjamin Moser e Heloísa Buarque de Hollanda

Uma mesa traçando uma linha entre as obras das duas únicas autoras homenageadas pela FLIP e dois dos maiores expoentes da literatura brasileira. Os participantes dispensam comentários pela qualidade e pelo conhecimento de causa. Vai ser uma tremenda viagem aos mundos e submundos literários. Uma mesa de excelência.

02/07 – Sábado – 17h15|mesa 16: Encontro com Svetlana Aleksiévitch

Ela só foi a Prêmio Nobel de 2015. Isso é pouco? Quer mais? Sério mesmo? As obras dela acabaram de chegar ao Brasil e ela vem apresentar seu trabalho que gira muito entorno do aparelhamento e desmonte da URSS. Promete ser uma mesa para arrancar suspiros.

03/07 – Domingo – 10h|mesa 19: Síria mon amour

Abud Said e Patrícia Campos Mello

Aulinha de história e geografia sobre um dos acontecimentos mais tristes e emblemáticos dos dias atuais, a guerra da Síria. Um Sírio refugiado na Alemanha e uma correspondente de guerra prometem lançar uma boa luz acerca dos acontecimentos com pontos de vista que vão um pouco além do que os grandes veículos se preocupam em mostrar. O domingo vai começar pesado.


Essas são as mesas que eu irei acompanhar com certeza, mas isso não descarta que eu me interesse pelas que ficaram de fora. Apesar de que essas aí já vão render bastante assunto…

Durante as próximas duas semanas o conteúdo do blog será todo direcionado por conta da FLIP. Vai rolar uma cobertura bacana e um material especial pra galera. Gostaram? Não? Porque não? Sugestões? Dúvidas? Críticas? Convites? Álcool? Tamo junto! Hahaha